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08 abr

“A norma é se curar”: relatos de idosos que sobreviveram à COVID-19 se multiplicam na França

por nossacasa

Os casos trazem esperança diante dos balanços cotidianos dramáticos da epidemia do novo coronavírus na França. Entre os 7.132 pacientes com COVID-19 que se curaram e puderam deixar o hospital no país, estão vários idosos que contam com emoção a superação da doença.

O número de casos de cura do coronavírus nos idosos aumentou

Eles pertencem ao grupo de alto risco. Na França, apenas 35% dos pacientes com coronavírus têm mais de 65 anos, mas quase 80% dos 2.606 mortos registrados no país até o dia 29 de março (domingo) têm mais de 75 anos. Por isso, os relatos de idosos que conseguiram se recuperar da COVID-19 são encorajadores.

Os testemunhos de pessoas mais velhas que deixaram os hospitais curadas começaram a crescer na semana passada. Os ex-pacientes estão entre os primeiros infectados no país, em fevereiro, quando a epidemia começou na França.

Georges, de 86, é um deles. Morador de Crépy-en-Valois, no departamento de Oise, um dos primeiros focos do coronavírus no país, ele passou mal em casa na noite de 16 de fevereiro e chamou o SAMU. Ninguém sabia ainda que o vírus se propagava rapidamente na região. O diagnóstico inicial foi de uma bronquite e ele foi hospitalizado em um quarto duplo ao lado de uma outra pessoa, como “um doente qualquer”, conta o idoso ao jornal La Croix.

O quadro se agravou, a contaminação pelo coronavírus foi confirmada e Georges foi isolado. Começou então o “combate” contra a doença. Ele ficou hospitalizado 15 dias em Compiègne e hoje, em casa, diz que “faz parte dos privilegiados que podem viver normalmente”. Mas o idoso detesta que a mídia o trate como um “caso milagroso”: “temos que nos preparar para a doença, mas devemos continuar a pensar que a norma é o doente se curar”, filosofa.

“A Terra inteira está contaminada e eu escapei”

Daniel, de 88 anos, foi o primeiro morador do departamento de Ardennes, no norte da França, a ser diagnosticado com a COVID-19. Ao contrário de Georges, ele vive a cura como um “milagre”. Ele deu entrada no hospital de Charlesville-Mezières em 6 de março, passou 10 dias internado e se considera um “sobrevivente”.

“Quando fui hospitalizado, estava muito fraco, vomitava, não tinha paladar nem apetite e qualquer gesto me cansava”, recorda em entrevista ao Aujourd’hui em France. Hoje, ele quase não tem mais sequelas da grave doença respiratória, apenas perde o fôlego de vez em quando. Daniel tem uma “gratidão enorme” pela equipe que cuidou dele e que o reconfortou nos momentos difíceis, mas também pelos vizinhos do pequeno vilarejo onde mora, que o apoiaram e continuam apoiando. “Ajuda a manter o moral”.

Daniel não consegue mais desgrudar os olhos da TV para acompanhar a progressão da epidemia: “Me arrasa ver todos esses mortos. A Terra inteira está infectada e eu escapei”, compara o ex-doente que espera que a epidemia acabe logo.

Cura de casal emociona o país

A cura de um casal de idosos emocionou particularmente o país. Henri Marchais, de 90 anos, e a mulher, Monique, de 88, ficaram doentes e internados juntos, no mesmo quarto, no hospital Bichat de Paris. Sãos e salvos, eles contaram, sorridentes e descontraídos, mas com a voz embargada, a provação que passaram à reportagem da TV France 2.

Henri ficou doente primeiro, mas demorou para chamar o médico e quase morreu. “Eu nunca fico doente. Quando comecei a ter febre, não liguei. Achei que ia passar”. Mas os sintomas se agravaram, ele começou a ter dificuldades para respirar e quando foi internado, em 8 de março, no serviço de doenças infecciosas do hospital, seu estado era crítico.

A família foi chamada. “Ligaram às duas horas da manhã para avisar que era grave e pudemos ir ao hospital abraçá-lo”, lembra, chorando, a esposa. Por causa da idade, ele não foi sedado nem entubado, teve apenas uma ajuda respiratória, mas não viveu sozinho essa batalha. Poucos dias depois, Monique também foi diagnosticada com o coronavírus e colocada no mesmo quarto. “Quando soube que o resultado era positivo, não senti medo pois me disseram que eu iria ficar ao lado dele”.

Juntos eles venceram a doença e “agradecem a gentileza e a maneira excepcional” com que foram tratados pela equipe médica. Henri e Monique estão em casa há uma semana, mas continuam cumprindo um distanciamento social. Enquanto aguardam para poder abraçar e beijar de novo os 26 netos e bisnetos, o casal, que simboliza esperança para milhares de doentes, aproveita da varanda de casa o sol da primavera que principia na França.

Fonte: FRI